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Para aquecer: entrevista com Marty Cagan

  • Blog
  • 4 de Junho de 2018

Você já deve estar sabendo que nos próximos dias 16 e 17 de junho vamos trazer Marty Cagan ao Brasil, em parceria com o Silicon Valley Product Group. Vai ser uma oportunidade incrível de trocar conhecimento com um dos caras mais respeitados do Vale do Silício quando o assunto é gestão de produtos. Ele é o autor do livro “Inspired: How To Create Products Customer Love” e ex-presidente de produtos e design do eBay. A ideia do Workshop é mergulhar profundamente nas funcionalidades de um produto e aprender as melhores práticas de Product Discovery, Lean Startups, Lean UX, Agile, Customer Development e Design Thinking, considerando também técnicas e práticas das melhores empresas de produto do mundo.

Para fazer aquele esquenta, nós batemos um papo com o Marty Cagan sobre o livro dele, o workshop e o que todo mundo pode esperar dos dias 16 e 17 de junho. Bora ver?

1. Você acabou de lançar uma segunda edição do aclamado “Inspired” e adicionou a palavra “Tecnologia” ao título, atualizando ainda o conteúdo do livro. O que mudou, de fato, desde a última edição?

Marty Cagan: quando comecei a atualização da primeira edição do meu livro, eu já imaginava que talvez eu modificasse cerca de 10% a 20% do conteúdo. Mas não foi o que aconteceu, acabei reescrevendo completamente o livro. Não porque me arrependi do que escrevi, mas porque acredito que agora tenho maneiras melhores de explicar alguns tópicos.

Atualmente, como existem recursos excelentes para designers e engenheiros de produtos, mas poucos recursos disponíveis especificamente para gerentes de produtos responsáveis ​​por produtos com tecnologia, nesta edição resolvi me concentrar no trabalho do Gerente de Produto. Então, se você é um PO em uma empresa de tecnologia, ou se você deseja ser um, espero que esse conteúdo seja o principal pra você.

Eu escrevi a primeira edição de Inspired antes que o Agile estivesse bem estabelecido em empresas de produtos e antes que as nomenclaturas ‘Customer Development’ e ‘Lean Startup’ se popularizassem. Hoje, a maioria das equipes usa essas técnicas há vários anos e está mais interessada no que está além do Lean e Agile, por isso é este o foco da nova edição.

Resumindo: mantive a estrutura básica do livro, mas agora acrescentei detalhes sobre o que me refiro no livro como Produto @ Escala. Na primeira edição, me concentrei mais em startups, nesta, no entanto, quis expandir o escopo para analisar os desafios das empresas em fase de crescimento e também como os produtos podem ser bem feitos em empresas de grande porte.

2. Sabe-se que o desenvolvimento de produtos de tecnologia vem, principalmente, do Vale do Silício. No entanto há países emergentes que investem em produtos inovadores (como Instacart, na Índia; Alibaba e Tencent, na China etc). Na sua opinião, quais são as maiores diferenças nas abordagens de desenvolvimento de produtos em diferentes cenários?

Marty Cagan: Já estive muitas vezes na Índia e na China e posso dizer que muitas das equipes de produtos lá são tão boas ou melhores do que qualquer outra no Vale do Silício. Existem grandes equipes de produtos e grandes empresas de produtos em todo o mundo atualmente. Eu diria que uma equipe forte de produtos em Xangai e uma forte equipe de produtos em São Francisco têm muito mais em comum do que duas equipes aleatórias em qualquer outro local.

4. Você fala muito sobre produtos de tecnologia, mas estamos vendo cada vez mais a convergência dos mundos off-line e on-line. Há também uma tendência atual de inteligência artificial, realidade virtual, blockchain e diferentes tipos de interfaces que mudam fundamentalmente o paradigma do produto em desenvolvimento. Você acha que isso vai afetar a nossa visão atual sobre o desenvolvimento de produtos? Se sim, como?

Marty Cagan: Todos esses são exemplos de tecnologias emergentes que estão permitindo novos produtos e soluções. Há sempre boas e novas tecnologias e nós, como indústria, estamos sempre nos esforçando para aplicar essas tecnologias para solucionar problemas dos usuários e clientes de maneiras que só agora são possíveis.

5. As empresas estão sendo pressionadas a se transformarem, não apenas em relação a seus clientes e usuários, mas também em relação à visão geral sobre a sua estrutura e cultura. Qual é a chave que faz a mudança C-level e adota uma mentalidade mais orientada para o produto dentro de suas empresas? O que deve ser mudado nessas empresas?

Marty Cagan: Sim, essa é uma tendência importante em todo o mundo. As empresas estão adotando tecnologia e empregando tecnologia para resolver problemas para os seus clientes ou estão sendo “disruptadas”, geralmente, por empresas que são ótimas na aplicação de tecnologia (como Amazon e Alibaba). Mas isso não é uma mudança fácil para empresas antigas. Muitas, se não a maioria, infelizmente, não vão levar esta ameaça e oportunidade a sério até que seja tarde demais.

6. Há muita informação, conhecimento e textos sobre o desenvolvimento de produtos, no entanto, há pouca informação sobre como conectar a estratégia geral da empresa aos produtos que as equipes estão desenvolvendo nesse contexto mais amplo. Como você aconselha conectar os dois?

Marty Cagan: É por isso que a visão de produto e a estratégia do produto são tão importantes. Eles são o que conecta a estratégia de negócios a cada equipe de produto. Eu escrevi um texto sobre isso recentemente, você pode dar uma olhada aqui.

7. Falamos muito sobre produtos que mudaram as nossas vidas, como iPod, iPhone, Uber, Airbnb, Netflix, Wechat, Whatsapp, Instagram… mas também ouvimos muito sobre produtos que fracassaram ou perderam uma mudança importante em seu ciclo de vida. O que você diria que ajuda a definir um produto de sucesso? Por outro lado, quais são os sinais mais comuns de um produto que entra na fase de “pôr do sol”?

Marty Cagan: Você citou uma lista de produtos no espaço do consumidor que são amplamente reconhecidos como sucesso, mas é claro que o “sucesso” em si é muito subjetivo. Existem muitas empresas e indústrias em mercados de menor evidência que também são, na maioria das vezes, um sucesso. Eu tento fazer com que empresas e equipes definam o que é sucesso antes de começar o projeto, o que torna essa pergunta muito mais fácil de responder. Normalmente, se um produto atinge seus objetivos, ele é considerado um sucesso. Isso significa descobrir uma solução valiosa, utilizável, factível e viável para os negócios.

8. Nas últimas semanas, a discussão sobre ética em torno dos produtos de tecnologia aumentou: Facebook, Cambridge Analytica, escândalos dentro do Uber e questões sobre como as empresas digitais estão lidando com os temas ‘privacidade’ e ‘dados’ são alguns exemplos. Na sua opinião, quais sinais devem ser observados por um gerente de produto sobre esse assunto sensível e quais mudanças devemos esperar para os próximos anos?

Marty Cagan: Tenho tentado por algum tempo fazer com que os gerentes de produto adicionem mais uma pergunta às quatro principais referentes à descoberta do produto, que são:

  • o cliente vai comprar (valor)?
  • o cliente pode usá-lo (usabilidade)?
  • podemos construí-lo (viabilidade)?
  • vai funcionar para o nosso negócio (viabilidade)?

Deveríamos adicionar a esta lista a pergunta “devemos construí-lo (ética)?” Eu gostaria de ver essa mudança, mas não tenho certeza se ela vai acontecer efetivamente.

E aí, deu vontade de saber mais? Então não perca o workshop “How To Create Products Customer Love”, que rola nos próximos dias 16 e 17 de junho em São Paulo. Faça sua inscrição aqui. Nos vemos lá! 😉

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