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Empatia na vida real

  • Blog
  • 29 de Junho de 2018

Quando estava no primeiro ano do segundo grau, eu tomava pau em Física direto. A parada não entrava na minha cabeça. Um dia um grande amigo meu, que estudava para ser de piloto da força aérea, me disse uma frase: “aplique a física em exemplos no dia a dia, tenha afinidade e traga para outro contexto de uso”.

Contexto de uso. Afinidade. Trazer para o dia a dia. Ver com outros olhos. E isso me faz pensar que a aproximação desses fatores ajuda a entender melhor os cenários em uma visão do todo. Mas eu resumiria tudo isso em uma palavra: EMPATIA.

Empatia, segundo dicionário, é a “ação de se colocar no lugar de outra pessoa tentando entendê-la, se identificar com o outro (…) desejando o que ele deseja (…) é uma competência emocional para depreender o significado de algo (…)”

Existem “n” artigos que abordam empatia em design, produto, em agilidade nas empresas… Mas a ideia aqui é tentar aplicar a empatia em um contexto do dia a dia de um reles mortal. Assim como na Física com o meu amigo, mostrar como ela é importante para as tomadas de decisões por quem acredita em algo devido a uma boa experiência vivida.

Eu e minha esposa temos pesquisado uma nova escola para a Alice, nossa filha de 6 anos. Ano que vem ela será alfabetizada (1º ano) e hoje estuda em uma escolinha pequena que amamos, mas vai ter que mudar para uma escola maior em 2019. Não tem jeito. E após reuniões em diversas escolas, acabamos decidindo o futuro dela devido a um fator fundamental: EMPATIA.

Em uma das escolas que visitamos, chegamos 10 minutos atrasados na reunião de apresentação dessa instituição aos pais. Auditório enorme. E nenhuma das duas responsáveis da escola largou o microfone para dar um simples “boa tarde”, nem olhou para a gente e nem sinalizou lugares vazios para sentarmos. Me senti mega culpado por atrapalhar a reunião. Elas continuaram a falar da proposta da escola. E nós olhamos a palestra até o final.

Digo ‘olhamos’, pois a relação foi fria, sem interação. Uma tomava o microfone da outra sem um discurso alinhado, o que me passou insegurança pela falta de uma cadência de informações. E toma de conteúdo sobre a escola, para a escola e pouco se via o lado humano. O foco foi sobre regras, notas, boletim, média, faltas, alertas, prazos, taxa de reserva etc. Não houve visitação às salas de aula e quem quisesse voltar outro dia, poderia entrar e visitar à vontade. #frio #tenso

Na semana seguinte fomos a outra escola, do mesmo naipe e no mesmo bairro para conhecer a proposta para o próximo ano. Incrivelmente fomos recebidos logo após a porta da escola se abrir, por duas alunas do 7º ano que se apresentaram e falaram que eram do grêmio estudantil. Nos acompanharam até uma sala onde estavam reunidos todos os pais. Ofereceram café, água, biscoitos e revistas da escola com a proposta pedagógica. Depois as meninas voltaram para receber novos pais chegando na escola.

Após 10 minutos surgiu um orientador pedagógico e apresentou os profissionais ali presentes. Organizaram grupos de 10 a 15 pais para conhecer a escola em um tour guiado para ver as crianças estudando. Cada grupo seguiu um caminho diferente pela escola para que no final todos se reuníssem no auditório para assistir a uma palestra. Rodamos por uma hora e conhecemos todas as salas, ginásio, biblioteca, artes etc. Achei incrível como a escola se COLOCOU NO PAPEL DOS PAIS e fizeram uma IMERSÃO no contexto do dia a dia da criança que possivelmente vai estudar ano que vem lá.

Ao chegar no auditório, todos do corpo docente se apresentou novamente em detalhes, explicaram a proposta em um ppt com texto apenas. Nem precisava de foto pois tudo já havia sido VIVENCIADO momentos antes ao vivo. A escola abriu para perguntas com a maior organização e cadência das informações. Escutaram a todos, responderam a todos sem cortar ou tirar microfone um da mão do outro. Tudo estava CONTEXTUALIZADO para os pais e EXEMPLIFICADO em todos os detalhes.

Ficamos duas horas e meia neste evento e foi uma experiência fantástica, pois EXPERIMENTAMOS o que nossa filha vai passar daqui um ano. Fomos bem recebidos e tudo foi fácil de entender, assim como aquela interface amigável e fácil de usar. A escola pensou em tudo para dar a melhor experiência aos stakeholders das crianças, ou seja, seus pais. Nem preciso dizer em como fiquei quando soube que lá rola até oficina de Design Thinking. 🙂

Saímos de lá certos da melhor decisão para a Alice. E é óbvio que, como usuário final, ela vai ter um TESTE PILOTO no fim do ano para simular um dia de vivência escolar. Tudo planejado em SPRINTS (rs) e com SEGURANÇA.

Empatia é pensar no outro. É se aproximar das pessoas, entender as dores, amenizar situações, vivenciar o outro lado, entrar no contexto de terceiros e dar caminhos para uma solução e tomada de decisão adequada, até mesmo em nossa vida pessoal. É um fator importante para aplicarmos no dia a dia para vivermos em um sociedade mais humana mais holística (Renan Melo, essa é para você) e mais completa.

PS: Sobre Física: eu adoro, mas rolaram algumas aulas particulares na época. Legal que a gente aplica ela nas coisas mais banais, como calcular tempo de viagens até o destino. Será que o Waze usa a fórmula Vm=S/t?

No capítulo de Design da Concrete nossa vontade é fazer do mundo um lugar melhor. Para isso, concebemos as melhores interações e soluções visuais baseadas em estudos, análises, pesquisas e testes com protótipos. Como designers, fazemos parte de um time multidisciplinar e trabalhamos lado a lado com Product Owners e desenvolvedores em um contexto de desenvolvimento ágil, centrado no usuário. Se você acredita nesse modelo de trabalhar, pode vir! =) Acesse: concrete.com.br/vagas