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Desmistificando os Hackathons

  • Blog
  • 10 de Setembro de 2018

Apesar dos meus poucos 20 anos de idade, sou um desenvolvedor front-end bastante ativo em comunidades tecnológicas. Bato ponto na maioria dos Hackathons que vejo por aí, e de vez em quando apareço como mentor. Por isso decidi escrever este post. A ideia é passar um pouco das experiências que tive nos mais diferentes Hackathons e mostrar que esse tipo de evento de inovação aberta não é um bicho de sete cabeças como muitos dizem.

O que me motivou a escrever este post foi meu passado como participante novato. Na época, eu procurava informações sobre a competição de todas as formas, mas nunca obtive muitos resultados. Agora, depois de anos, vejo que nenhum progresso ocorreu. Então, a ideia é expor meu ponto de vista e encorajar novos desenvolvedores, designers, empreendedores ou simples curiosos a se aventurarem nas 33 horas que o formato do evento apresenta, além de estimular o diálogo entre os “hackathonzeiros” (termo dado aos ratos de hackathon).

  • O que é um Hackathon?
  • O que acontece em um Hackathon?
  • Como participo de um Hackathon?
  • Não sei programar, ou não sei programar direito, posso participar?
  • Não sou desenvolvedor, e agora?

Essas perguntas passam pela cabeça de uma galera que está começando, então vou tentar responder cada uma delas.

Meu primeiro contato com o Hackathon

Quando estava no primeiro semestre da faculdade de sistemas de informação, ouvi alguns professores comentando sobre o termo hackathon. Não sabia o que era, e confesso que quando comecei a pesquisar imaginei que o evento seria igual ao que o personagem de Mark Zuckerberg promove durante o filme “A Rede Social”. Mas na prática eu só consegui saber o que rolava de verdade nestes eventos depois de ter participado de um.

O termo Hackathon é a junção de duas palavras em inglês: Hack (programar bem) e marathon (maratona), que juntas podem ser traduzidas como maratona de programação. O tempo de duração é questionado, mas no geral são 32 horas, em sua maioria aos sábados e domingos, sem interrupções. Neste intervalo de tempo os participantes devem pensar em uma solução que alie tecnologia como aplicativos, softwares ou hardwares aos critérios estabelecidos pelos organizadores do evento. Se o problema for reduzir o desmatamento na Amazônia, por exemplo, você não vai poder fugir do tema e nem apresentar um simples powerpoint. Tem que ter tecnologia envolvida.

Como me inscrevi no meu primeiro hackathon?

Depois de pensar e pesquisar umas três mil vezes, decidi me inscrever. E aí na ficha de inscrição me deparei com uma pergunta e travei:

Qual a sua skill?
Designer, Business ou desenvolvedor?

No meu segundo semestre em uma faculdade que ainda não me dava uma base técnica boa, mal tinha aprendido C++. E aí pensei: como eu ia para uma maratona de programação sem saber programar?

Foi então que lembrei que havia trabalhado como vendedor em uma loja de surf por quase dois anos e me dei conta de uma coisa que eu sabia muito bem fazer: vender. Escolhi como skill a área de Business e segui em frente, com certo frio na barriga, admito.

Como formei meu time?

Alguns dias antes do evento, recebi um e-mail que mudaria minha vida. Ele me informava que eu havia sido selecionado para participar e que a próxima etapa era formar uma equipe. Eu também não imaginava que isso seria um desafio. Um dos principais problemas que vejo atualmente neste tipo de evento é que algumas organizações não dão apoio suficiente no fechamento dos times durante o pré-evento. Isso faz com que alguns participantes se sintam perdidos e acabem desistindo.

No meu caso, eu tive uma sorte enorme pois no e-mail havia um link para grupo no Whatsapp no qual mais de 100 pessoas já estavam. Era igual a uma feira, todo mundo procurando pessoas para completar seus times.

O evento

Acho que uma das melhores partes de um hackathon são as comidas. Geralmente eles providenciam um belo café da manhã, almoço, lanche da tarde, jantar e por último a pizza da madrugada com o energético. O ambiente de trabalho é bem descontraído, sempre trabalhei com pessoas incríveis que já possuem experiência no mercado e também rola muita música pra dar aquela motivada na galera.

A primeira etapa é fundamental para o time, que é fazer um brainstorming. Essa técnica consiste em estimular nosso cérebro a pensar em soluções reais e irreais sobre o problema. Calma, se seu grupo tiver dificuldades em desenvolver algo por não estar tão familiarizado com o tema, uma dica de amigo é chamar os mentores. Essa figura é importante pois além de ajudar com dúvidas técnicas dá um direcionamento e estímulo à criatividade dos participantes. Além disso, eles também validam a ideia com o time, para que ela não saia muito do contexto.

Ou seja, só não participa de um hackathon quem realmente não quer sair da sua área de conforto, porque pessoas preparadas estarão prontas para ajudar seu time a chegar ao fim do evento e entregar sua solução.

Dead Line

Ao mesmo tempo em que você vê o dia amanhecendo você também vê pilhas de energéticos sobre as mesas, pessoas que não conseguiram segurar o sono e estão dentro de barracas ou estiradas em algum canto, aquele bug do milênio que não some da tela e só uma coisa importa: entregar a solução de qualquer forma e fazer valer a pena todo aquele esforço do grupo.

Premiação

Após o pitch, que geralmente dura de 2 a 5 minutos, bate aquele alívio e você vê que todos começam a respirar até mais leve.

Independente de alcançar o 1º, 2º ou o 3º lugar, todos que participam são vencedores, pois se pararmos pra pensar em tudo que pudemos vivenciar durante 24 horas, faculdade nenhuma, curso nenhum ou aula nenhuma te proporcionaria ao mesmo tempo: networking com pessoas de lugares diferentes, absorção de conhecimento diretamente de pessoas com experiência na área, empreendedorismo e muitos outros benefícios que podem ser levados para casa.

Como eu costumo dizer para qualquer pessoa:

Hackathon é um curso compactado de 24 horas sobre tudo.

Agradecimentos

É um pouco difícil abordar esse tema, pois cada um pensa de uma forma e enxerga este evento de uma maneira diferente, a partir de sua experiência.

Eu vejo que o hackathon me deu a oportunidade de desenvolvimento rápido. Espero de verdade que este texto possa te incentivar a trocar um final de semana para se desafiar. Não ligue para aqueles que falam simplesmente “perder” um final de semana, pois os ganhos são imensuráveis. Mova-se e busque desafios, evolua, pois se você não fizer isso por você, quem vai fazer?

E você? Tem alguma experiência com hackathon e quer compartilhar? Fique à vontade nos campos abaixo! Até a próxima.